Especialistas ouvidas pela Rádio Senado reforçam que o sofrimento psicológico muitas vezes é invisível e que gestos simples de escuta e acolhimento entre colegas podem salvar vidas; CVV está disponível 24h pelo telefone 188.
GUAXUPÉ - A campanha Setembro Amarelo chegou para reforçar um alerta que vai além dos muros de casa: o cuidado com a saúde mental também é essencial dentro do ambiente de trabalho. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que, só em 2024, o Brasil registrou 427 mil afastamentos por transtornos mentais. Esse é o maior número dos últimos dez anos e acende um sinal de atenção para empresas e trabalhadores de todos os setores.
Especialistas ouvidas pela Rádio Senado destacam que o problema não é apenas individual e nem deve ser tratado somente pelos departamentos de recursos humanos. A psicóloga Ana Lívia Babadopulos, do Senado Federal, explica que a qualidade de vida no trabalho é uma tarefa de todos. "Muitas vezes a gente fica com a impressão de que o problema da saúde mental é daquela pessoa específica, mas não é assim que funciona", alerta.
A grande dificuldade, segundo a psicóloga Ana Brígida, é que o sofrimento emocional, na maioria das vezes, é invisível. O medo de ser julgado ou de perder o emprego faz com que muitos colegas sofram em silêncio. Por isso, o primeiro passo para ajudar pode não partir de quem está passando mal, mas de quem está ao lado.
Ana Brígida dá a dica: esqueça as frases prontas como "vai passar" ou "é só uma fase". A pessoa em sofrimento, muitas vezes, não precisa de soluções imediatas, mas sim de alguém que a ouça sem críticas e valide aquilo que ela está sentindo. Um simples "como você está?" dito com sinceridade pode fazer mais diferença do que imaginamos.
Neste Setembro Amarelo, lembre-se: cuidar da mente é um ato de coragem e solidariedade. E no trabalho, esse cuidado começa com um olhar atento para o colega ao lado.
Com informações da Agência Rádio Senado